Kings Bonsai

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BUXUS FUKINAGASHI

Este Buxus é mais um excelente material que consegui garimpar em um Garden, ele estava plantado no chão e foi retirado no momento da compra, envolvido em um saco de juta e a folhagem amarrada para transporte. Quando vi o tamanho da planta e principalmente o diâmetro da base, maior que uma garrafa Pet, fiquei impressionado e pensei que iria custar uma fortuna, mas para a minha surpresa era o mesmo preço de exemplares muito menores da mesma espécie em formato de bolinha, paguei R$80, uma verdadeira bagatela por uma planta tão boa. Abaixo a sequência de fotos e informações sobre o cultivo da planta até o momento.

Julho/16 - foto tirada no momento da chegada da planta em casa, ainda amarrada do mesmo modo que eu transportei ela no carro.

Após retirada as cordinhas que prendiam a folhagem, sem nenhuma intervenção ainda.

Antes de plantar em uma caixa plástica para recuperação eu fiz algumas pequenas intervenções e efetuei um procedimento que aprendi para a redução, em etapas, da altura da planta. Ele possuía alguns poucos brotos pequenos e outro tanto de pequenas gemas sem abrir na parte inferior, quase toda a folhagem se concentrava mais nas extremidades dos galhos e precisaria ser compactada para ser aproveitada. Isso é um problema porque os Buxus nem sempre respondem bem às podas drásticas, eu mesmo já perdi 2 após a realização de poda drástica deixando somente uma pequena quantidade de folhagem. Agora não faço mais desta forma, realizo a redução com podas seletivas periódicas. O procedimento para redução da altura e compactação da planta consiste no seguinte:
  • a partir do tronco seguindo em direção ao ápice vá seguindo até a primeira bifurcação;
  • se essa bifurcação estiver dentro do projeto que você vai utilizar não mexa, continue subindo a vá até a próxima que não será aproveitada no projeto que você tenha um mente ou da altura que você pretende que o seu bonsai tenha após concluído;
  • após chegar na primeira bifurcação não desejada verifique quantos galhos saem dessa bifurcação;
  • caso sejam 2 galhos - corte 1 e deixe somente 1;
  • caso sejam 3 galhos - corte os 2 mais fracos e deixe o mais forte, se forem todos fortes corte 2 e deixe 1, se forem todos fracos corte 1 e deixe 2;
  • caso sejam 4 galhos - corte 2 e deixe 2, deixando os mais fortes;
  • se forem mais de 4 - deixe os 2 mais fortes e corte os demais;
  • para cada galho deixado continue subindo e fazendo o mesmo procedimento a cada bifurcação até chegar na ramificação do topo da planta.
Corte de galho que cruzava por dentro da planta passando pela frente de um dos troncos.

Corte de outros 2 galhos que cresciam paralelos a um dos troncos.

Vista da região de corte dos galhos e detalhe dos 3 troncos que se formam a partir de uma única base.

Visão da planta após o procedimento de retirada seletiva dos galhos. Dá para verificar que a folhagem já está mais rala, permitindo a entrada de luz nos brotos internos, necessária para o seu desenvolvimento.

Realizei o corte destas 2 raízes mais grossas antes do plantio.

Já replantado, não desfiz o torrão e utilizei um substrato composto de 40% terra, 40% pedrisco e 20% casca de pinus para completar o espaço disponível na caixa plástica.

Visão geral da planta após replantada.

Quantidade de galhos retirados em julho/16 com a poda seletiva, galhos mal localizados e cruzados.

A partir da primeira poda seletiva as demais são realizadas ao contrário da inicial, ou seja, a partir da copa para o interior da planta. Se tiverem 2 galhos, retirar 1, se houver apenas 1 retirar esse. Com isso ficaremos com apenas 1 galho no ultimo patamar onde houverem 2 galhos e onde tem apenas 1 desceremos um patamar até a próxima bifurcação. Esse processo deve ser realizado mensalmente nos meses de crescimento, se a planta não estiver emitindo novas brotações por conta da estação do ano ou por estar debilitada por algum motivo cesse o procedimento até a recuperação da planta.

Início de Agosto/16 - Visão por cima da copa após nova poda seletiva. A planta estava bem saudável e continuava a emitir novas brotações com o aumento das temperaturas.

Vista frontal - é bem perceptível que as brotações maiores se concentram nas extremidades dos galhos.

Quantidade de galhos podados em Agosto/16.

 Setembro/16 - Nova poda, agora a planta ficou com a copa menor e diminuiu também na largura.


Setembro/16 - Nova poda

A brotação interna está iniciando a desenvolver.


Brotação bem próximo da base do tronco, esta brotação é muito pequena.

Com uma foto um pouco mais distante quase não é possível ver as brotações nas regiões mais baixas da planta.

Continuei a realizar o mesmo procedimento durante os períodos de crescimento da planta em 2017 e depois parei porque já tinha chegado nas brotações mais internas, a planta ainda não estava do tamanho que eu pretendia e como as brotações eram muito pequenas era necessário aguardar o seu desenvolvimento para não enfraquecer demais a planta. Nesse meio tempo estive observando a planta para tentar definir um estilo para ela já que até aquele momento eu ainda não tinha nada encaminhado ainda. Tudo que eu tinha certeza é que seriam utilizados os 3 troncos porque saíam todos diretamente da base e a retirada de qualquer um deles iría diminuir e muito a base que é bem larga lateralmente devido justamente ao fato dos 3 troncos serem alinhados lateralmente. Numa destas observações verifiquei que a base se inclina para um dos lados, uma parte dos galhos também estão direcionados para esse mesmo lado, os galhos centrais estão mais ou menos retos e a outra metade se direcionam para o lado oposto. Em qual situação isso acontece? Bingo!!!! Um típico Fukinagashi chinês, aquele em que a ação do vento está agindo na planta naquele momento, a planta está lutando contra essa força. Uma parte dos seus galhos está sendo direcionada pelo vento e os galhos que estão na linha de frente com o vento travam uma batalha para não cederem. Pronto está definido o estilo da minha planta, agora é colocar em prática. Abaixo uma primeira estilização da planta.

Visão da planta antes da realização dos trabalhos. Essa é a frente escolhida.

 Parte traseira.

 Detalhe do tronco na parte traseira.

 Retirei o galho central reto localizado na frente e que prejudicava a visão de parte da base.

Detalhe do galho retirado.

Após a aramação de alguns ramos maiores e tracionamento dos galhos. Ainda tem muito trabalho pela frente para melhoria do visual. Como os brotos estão muito pequenos ainda eles ficam muito próximos dos galhos, para esse estilo é necessário que não haja folhas na parte inicial dos galhos mais finos, deixando folhas mais nas extremidades dos galhos. O galho mais baixo foi posicionado no sentido oposto do seu crescimento e não pude forçar mais para não correr o risco de quebrar o mesmo. Ainda vou decidir posteriormente se deixo ele ou se retiro. Não dá pra ver muito be como vai ficar pelo excesso de folhas juntas e também por conta de um monte de mudas que tenho plantadas nas bordas da caixa plástica (cobertas pelo panos brancos). Vou retirar elas no início da primavera e plantar em vasos individuais, essa mania de plantar as sobras das podas..kkkk. Por enquanto é só, à medida que for realizando os procedimentos vou atualizando e compartilhando por aqui.


ENXERTOS EM JUNÍPEROS - REMOVENDO A FOLHAGEM ORIGINAL

LOURO YAMADORI - 8 ENXERTOS POR TRANSFIXIA COM APENAS 1 GALHO

Este Louro (Laurus Nobilis), aquele mesmo que usamos as folhas para colocar na feijoada, é procedente de um Yamadori realizado em agosto do ano passado. Eu deixei somente um galho no momento da retirada do solo e as novas brotações ocorreram somente a partir desse galho para cima. Não fiz nenhuma intervenção desde o momento da coleta, a não ser a aramação dos galhos novos com o intuito de dar forma a eles para que não ficassem retos. Apesar da planta ser grande e parruda não houve um crescimento vigoroso e isso pode estar relacionado com a idade avançada da planta já que as plantas adultas crescem a uma taxa muito menor que as plantas jovens, esse louro deve ter mais de 20 anos a julgar pela espessura do tronco e pelo aspecto da casca extremamente rugosa. De qualquer forma a planta está repleta de novas brotações já abrindo e outro tanto muito maior em fase de inchamento das gemas para abrir, portanto, não vou replantar por pelo menos mais um ano.

Eu poderia formar a copa somente com os galhos da parte de cima, mas a planta ficaria com um aspecto de planta mais jovem. Quero que pareça uma planta realmente velha como ela verdadeiramente é. Por esse motivo decidi enxertar galhos na parte de baixo, o tipo de enxerto escolhido é por transfixia. Já está meio tarde para realização dessa operação porque as gemas já estão inchadas e fica complicado para conseguir passar a ponta do galho pelo furo sem danificar as gemas e brotos novos. Como estava dependendo de uma furadeira que havia emprestado para o meu cunhado tive que usar outro recurso para danificar o mínimo possível as gemas e brotos novos. 

Segue abaixo fotos do procedimento:

Esse era o aspecto da planta no início do procedimento. Nessa foto é possível ver que eu aramei o galho utilizando arames (3 arames de 3mm lado a lado)  de modo a conseguir curvar o galho até onde os brotos seriam enxertados. Na foto também é possível ver que os brotos a serem enxertados foram envolvidos com filme de PVC para diminuir o seu volume e ser possível passar através do furo da broca de 10mm com o mínimo de dano possível.

 Parte de trás.

Detalhe dos brotos que nasceram na parte superior após a coleta e plantio no vaso.

Abaixo fotos dos galhos já posicionados no local definitivo ainda enrolados com o filme de PVC e após retirado do filme:












 Vista da parte traseira após a realização de todos os enxertos.

 Detalhe dos locais de enxerto na parte traseira.

Vista frontal da planta - o galho utilizado para a realização de todos os enxertos está aramado, internamente tracionado com arame e protegido com borracha para não danificar os galhos. É muito importante que os galhos enxertados não possam ser movimentados porque podem quebrar e nesse caso o enxerto é perdido.

 Detalhe dos locais de enxerto na parte dianteira.

Detalhe de um enxerto em que o galho rachou, mas não chegou a separar. Eu posicionei um pedaço de galho por baixo e imobilizei enfaixando com uma fita de pano para não se movimentar e poder cicatrizar. Caso esse galho venha a secar vou ter que substituir por outro, mas creio que não será necessário porque já faz alguns dias que realizei o procedimento e o galho continua vivo. Assim que os enxertos soltarem folhas e se desenvolverem eu posto uma atualização para acompanhamento.