Kings Bonsai

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Guia de Cuidados Pinheiro Negro


SERISSA FUSÃO DE BROTOS CHUPÕES - ATUALIZAÇÃO


Após a fusão do tronco e o modelamento dos galhos com o restante dos galhos chupões, eu replantei a Serissa em um vaso de bonsai no início de setembro. Eu plantei em um vaso maior do que eu pretendo manter no futuro porque seria uma redução muito grande pra fazer de uma única vez, seria necessário reduzir algo em torno de 70%. Embora as Serissas em geral sejam muito resistentes a poda de raízes, como pra mim já é um bonsai praticamente terminado resolvi que era um risco desnecessário, além do que embora todo o trabalho de formação de tronco e galhos já esteja definido eu ainda quero que ela tenha bastante vigor para a conclusão das ramificações finas nos galhos.
Acredito que dentro de mais um ano a ramificação já vai estar compactada, aí vai entrar uma nova fase de manutenção da estrutura com redução de galhos, em outros aumento de um ou outro galho, reposicionamento para entrada de luz, retirada de uma ou outra rama para entrada de luz no interior da estrutura, mas nenhuma intervenção maior é realmente necessária. Os arames serão retirados à medida que começarem a marcar os galhos.
No futuro o vaso definitivo deverá ser mais ou menos a metade do vaso atual, pretendo que seja um vaso colorido para contrastar com a cor branca das flores que deverão aumentar bastante a medida que a planta aumente também a sua ramificação. Pode ser que eu plante em uma laje também ou um vaso orgânico em formato de placa de pedra, creio que ficaria até mais natural, mas ainda não decidi realmente. Eu não gosto dessa história de definir um projeto para cada planta e seguir em frente para não se perder como a maioria dos bonsaistas gosta e aconselham fazer. Prefiro ir formando a planta com o decorrer do tempo, deixando sempre mais galhos e crescimento do que vão ser utilizados no futuro, retiro os realmente desnecessários à medida que a planta vai se desenvolvendo com o decorrer dos anos e de acordo com o bonsai que vou visualizando e idealizando nesse período.
Abaixo mais algumas fotos da planta em outros ângulos e lados. Essa primeira foto antes do texto deve ser a frente escolhida.






A planta no dia em que comprei em Abril/16

 Outubro/19

Os detalhes da formação da estrutura podem ser verificados neste primeiro post através do link abaixo:

Abraço

A SEIVA

La Savia

Texto traduzido e publicado com autorização do autor Francisco Fournies, a postagem original no site Ruta Bonsai pode ser acessada através do link abaixo:
http://rutabonsai.com/fisiologia-vegetal/151-la-savia 
Todas as plantas, incluindo bonsai, têm um elemento vital que percorre seus galhos, tronco e folhas, chamamos esta substância muito nutritiva de seiva. Esta substância é essencial para o desenvolvimento de qualquer planta e, se quisermos entender completamente as plantas, algo essencial para o bom cultivo dos nossos bonsais. Devemos entender os fundamentos desta substância, quando ocorre, como ocorre, como ele se move na planta e quais os aspectos que influenciam o seu desenvolvimento. O objetivo deste artigo é falar e explicar aspectos fundamentais sobre a seiva que lhe permitirão expandir seus conhecimentos para melhor aplicar as técnicas do bonsai.A seiva é equivalente ao sangue do ser humano nas plantas, esta substância é responsável por transferir os açúcares e nutrientes por toda a árvore, o que permite que todos as necessidades das folhas ou raízes sejam fornecidas. Sem a seiva as folhas não teriam como usar o adubo aplicado no substrato do seu bonsai, nem poderiam usar a água da irrigação. Como todos sabemos, as plantas não têm um coração que lhes permita empurrar a seiva, como é o caso dos animais, mas o movimento da seiva é produzido graças a três efeitos físicos que detalharemos a seguir:
  • Ação de Transpiração: É a força gerada devido ao suor que ocorre nas folhas. Os estomatos quando abertos perdem gases, gerando uma pressão negativa nas folhas, que gera uma sucção da coluna de seiva e faz com que esta suba para as folhas.
  • Capilaridade: Devido ao pequeno diâmetro dos dutos onde a seiva circula as moléculas de água são atraídas pelas paredes dos vasos ou dutos, produzindo uma pequena força que auxilia na ascensão da seiva.
  • Coesão: Graças a uma propriedade física das moléculas de água, que exercem uma força chamada de coesão, devido à atração das ligações de hidrogênio produzidos devido à diferença de eletronegatividade entre os átomos de hidrogênio com o de oxigênio da molécula vizinha. Esta força permite que o fluxo ascendente não desça devido aos efeitos da gravidade, facilitando o processo de transporte por toda a planta.

Além dessas três forças,existe outro fenômeno que permite que a seiva se mova em distintas direções e épocas do ano, o Fluxo de Massa, através desse fenômeno a seiva movimenta-se das regiões de maior concentração de nutrientes (açúcares e fotoassimilados) para regiões de concentração mais baixa. Este fluxo permite que a seiva de se mova para as raízes ou para as gemas e folhas, dependendo dos necessidades de árvore, assim setores da planta como os brotos ou frutos, que não realizam fotossíntese, também obtenham igualmente os nutrientes para o seu desenvolvimento.

 

dibujo 2
Como discutido anteriormente, a seiva não se move livremente pela árvore, ela é conduzida através de pequenos vasos condutores que vão desde as raízes até as folhas, semelhantes ao que nos animais seriam as veias. Estes vasos condutores são divididos em 2 tipos diferentes, são pequenas diferenças estruturais porque em cada um destes vasos flui um tipo diferente de seiva (os tipos de seiva serão detalhados na sequência do texto), estes vasos são chamados Xilema e Floema e percorrem toda a planta.
 

  • Xilema: é onde a seiva bruta é transportada, estes tipos de vasos estão localizados no centro dos vasos condutores, como mostrado na imagem abaixo.
  • Floema: é onde a seiva elaborada é transportada, estes tipos de vasos estão localizados na periferia dos vasos condutores, como mostrado na imagem abaixo. 
xilema-e-floema
 Na foto acima podemos ver como estão distribuídos o floema e o  xilema no interior da planta.

Como já falamos, devido a constante atividade da planta, fotossíntese, absorção de água e de outros processos, é que existem dois tipos de seiva, bruta e elaborada, que têm funções diferentes e transportam distintos  nutrientes por toda a planta.
Seiva Bruta: É aquele seiva que é transportada pelo xilema e consiste principalmente de água e minerais. A direção desse fluxo é sempre das raízes para as folhas (movimento basepetalo), um sentido bastante lógico se pensarmos que as responsáveis ​​pela absorção de água são as raízes e as que precisam de água e sais minerais são as folhas, frutos e brotos.Seiva Elaborada: É a seiva que é transportada pelo floema e é composta fundamentalmente por água e açúcares. A direção dessa seiva é variável, já que vai de onde é produzida até onde é necessária, seja nos brotos, frutos, raízes etc., a direção dependerá das necessidades da planta e seu movimento é principalmente devido ao fluxo de massa.
movimiento
No esquema superior, vemos o movimento de água e nutrientes desde os diferentes vasos condutores, seiva e células que necessitam destes elementos.

Não devemos confundir seiva com látex ou outras substâncias que as plantas secretam como defesa, um caso muito comum disso é o látex branco que o ficus soltam quando são podados (abaixo), isso não é seiva, é apenas látex e sua emissão se detém ao pulverizar água.

Ficus elastica_40 
Já falamos um bom tempo sobre a seiva e suas características e talvez muitos se perguntem para que isso me serve como bonsaísta? A seiva por ser parte fundamental do bonsai, é preciso mantê-la dentro dos vasos condutores, e é por isso que a poda deve ser feita em determinados épocas e com muito cuidado. Idealmente, a poda deve ser feita quando houver a menor movimentação de seiva possível, para evitar que seja perdida. A menor movimentação da seiva é no inverno quando a árvore está em repouso, não é coincidência que todos os livros sempre recomendam a poda no inverno, especialmente se são podas grandes, já que ao podar e cortar galhos não haverá perda da seiva, o que acontece normalmente quando cortamos na primavera. Durante o dia o maior movimento de seiva ocorre quando a planta está em plena atividade, o que corresponde nas primeiras horas da manhã e durante o meio-dia, geralmente no período da tarde o movimento é menor e é conveniente podar na parte da tarde.Talvez os mais experientes tenham notado que ao podar um galho, depois de algum tempo a parte superior morre, fenômeno que costumamos chamar de "retração da seiva", esse fenômeno é ainda maior se podarmos na primavera. A morte dessa parte do galho se deve ao fato de que não há efetivamente nenhuma gema que permita o fluxo de seiva para manter esse setor. Apesar de existirem podas na primavera, elas ocorrem apenas nos galhos jovens, uma vez que estes por não estarem lignificados podem fechar os vasos sem correr o risco de perder muita seiva. Ao podar é essencial conhecer bem o que é a seiva e como flui no bonsai, espero que este artigo sirva de orientação.

ENXERTOS EM JUNÍPEROS - REMOVENDO A FOLHAGEM ORIGINAL

LOURO YAMADORI - 8 ENXERTOS POR TRANSFIXIA COM APENAS 1 GALHO

Este Louro (Laurus Nobilis), aquele mesmo que usamos as folhas para colocar na feijoada, é procedente de um Yamadori realizado em agosto do ano passado. Eu deixei somente um galho no momento da retirada do solo e as novas brotações ocorreram somente a partir desse galho para cima. Não fiz nenhuma intervenção desde o momento da coleta, a não ser a aramação dos galhos novos com o intuito de dar forma a eles para que não ficassem retos. Apesar da planta ser grande e parruda não houve um crescimento vigoroso e isso pode estar relacionado com a idade avançada da planta já que as plantas adultas crescem a uma taxa muito menor que as plantas jovens, esse louro deve ter mais de 20 anos a julgar pela espessura do tronco e pelo aspecto da casca extremamente rugosa. De qualquer forma a planta está repleta de novas brotações já abrindo e outro tanto muito maior em fase de inchamento das gemas para abrir, portanto, não vou replantar por pelo menos mais um ano.

Eu poderia formar a copa somente com os galhos da parte de cima, mas a planta ficaria com um aspecto de planta mais jovem. Quero que pareça uma planta realmente velha como ela verdadeiramente é. Por esse motivo decidi enxertar galhos na parte de baixo, o tipo de enxerto escolhido é por transfixia. Já está meio tarde para realização dessa operação porque as gemas já estão inchadas e fica complicado para conseguir passar a ponta do galho pelo furo sem danificar as gemas e brotos novos. Como estava dependendo de uma furadeira que havia emprestado para o meu cunhado tive que usar outro recurso para danificar o mínimo possível as gemas e brotos novos. 

Segue abaixo fotos do procedimento:

Esse era o aspecto da planta no início do procedimento. Nessa foto é possível ver que eu aramei o galho utilizando arames (3 arames de 3mm lado a lado)  de modo a conseguir curvar o galho até onde os brotos seriam enxertados. Na foto também é possível ver que os brotos a serem enxertados foram envolvidos com filme de PVC para diminuir o seu volume e ser possível passar através do furo da broca de 10mm com o mínimo de dano possível.

 Parte de trás.

Detalhe dos brotos que nasceram na parte superior após a coleta e plantio no vaso.

Abaixo fotos dos galhos já posicionados no local definitivo ainda enrolados com o filme de PVC e após retirado do filme:












 Vista da parte traseira após a realização de todos os enxertos.

 Detalhe dos locais de enxerto na parte traseira.

Vista frontal da planta - o galho utilizado para a realização de todos os enxertos está aramado, internamente tracionado com arame e protegido com borracha para não danificar os galhos. É muito importante que os galhos enxertados não possam ser movimentados porque podem quebrar e nesse caso o enxerto é perdido.

 Detalhe dos locais de enxerto na parte dianteira.

Detalhe de um enxerto em que o galho rachou, mas não chegou a separar. Eu posicionei um pedaço de galho por baixo e imobilizei enfaixando com uma fita de pano para não se movimentar e poder cicatrizar. Caso esse galho venha a secar vou ter que substituir por outro, mas creio que não será necessário porque já faz alguns dias que realizei o procedimento e o galho continua vivo. Assim que os enxertos soltarem folhas e se desenvolverem eu posto uma atualização para acompanhamento.










CUIDADOS APÓS REALIZAÇÃO DE ENXERTOS EM JUNÍPEROS

ENXERTANDO GALHOS EM JUNÍPEROS - UM POST AUTOEXPLICATIVO

Utah juniper